artigos em August 2009
Imagine uma grande fábrica. Imagine que existem funcionários geniais, que criam produtos próprios, pessoais, sem o serem pedidos pela fábrica e (principalmente) sem a intenção de levá-los à linha de produção. Agora, imagine uma salinha onde se reúnem os líderes desta fábrica. Eles determinam o que é produzido, em que quantidade, em qual formato. E mais: sabe aquela criação única, daquele funcionário genial? Mal sabe ele, mas os homens na salinha estão procurando torná-la um mero produto…
Texto escrito para a Aula de Expressão, mas que acabei abandonando.
“Eu não agüento mais! Nenhuma idéia, nenhuma nova composição… Que merda! Não era assim no começo da banda. Todo mundo do Cavalo Virtual dava palpite, ajudava. Hoje, enquanto eu to aqui tentando compor, os vagabundos tão se divertindo com a grana do último show!”
Lendo sobre a crise política que está rolando, vi que alguns senadores estão deixando seus partidos, em defesa da ética e da honestidade, como Mão Santa (PMDB–PI) e Flavio Arns (PT-PR). Outros, como Aloizio Mercadante (PT-SP), estão mudando sua postura dentro do partido. Fiquei extremamente comovido.
Muitas vezes somos levad@s a acreditar que a manutenção do status quo é a melhor alternativa, e se não a for de fato, é pelo menos a opção mais cômoda. Para começar a conversa, manter situações de opressão não pode ser melhor, se quer, para os opressores, uma vez que isso leva ao tensionamento progressivo das relações. E para aprofundar na questão, imagino que vocês estejam cheios de discursos rasos de blábláblá, a quem interessa o comodismo?
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Quarta-feira, manhã. Chego cedo à FAFICH e já vejo alguns deles. Jovens desorientados e, talvez pela primeira vez na vida, realmente sem o amparo de um adulto. Me pergunto se eles se dão conta de que, agora, eles são os adultos.
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Nós costumávamos nos importar eu diria mas aquela puta não está aqui não depois do que ela fez Acabamos de nos conhecer oh Deus eu a amo e ela é tão linda Só preciso do seu sorriso cheiro toque amor corpo preciso do seu corpo me chupa sua vadia ela era Sim ela me traiu e nós gostávamos de andar de bicicleta e agora todo dia eu vejo a minha bicicleta.
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Móveis Coloniais de Acaju na Flaming Night, evento realizado no Lapa Multshow no dia 22 de agosto de 2009.
- Gabi, como que você fica no show?
- Ah, depende do show. Quando não conheço bem a banda, gosto de ficar mais quietinha, observando e ouvindo tudo com mais atenção. Agora, quando é uma banda que eu gosto muito, fico dançando, pulando…
- Eu tenho vergonha.
- Não precisa se preocupar, cada um tem seu jeito de se comportar em show, faz o que você se sentir a vontade. O bom é que ninguém fica reparando muito nisso.
Aconteceu que naquele ano ela envelheceu mais que eu. Eu vi naquilo um aviso de que minha juventude seria a próxima e decidi, então, presentear meus últimos instantes antes da velhice com um número considerável de amantes: tive quase três dezenas em menos de vinte e quatro meses. As duas últimas, Vintesseis e Vintessete, foram as que me viram ceder aos cabelos brancos e às demais taxas que a idade costuma cobrar quando lhe convém. As duas me acolheram, devo dizer, com a paciência de mãe e dedicação de filha. Lembro que enquanto eu as aconselhava ou tentava lhes dar ordens elas apenas abanavam a cabeça e, com as bocas mudas, me guiavam, teimosas, por caminhos que eu julgara conhecer de cor, mas que não encontravam reconhecimento imediato das minhas mãos. Eu julgava que minha mulher iria se regozijar com minha decrepitude, agora tão parecida com a dela. Mas ela assumia o mesmo ar que Vintesseis e Vintessete só que com aquele charme discreto, proveniente do desprezo, e me abraçava e me levava por velhos caminhos, agora mais tortuosos e íngremes, com novos e imprevisíveis acidentes surgidos do cansaço ou das rugas. Claro que nunca havia considerado que o cansaço também poderia ser meu e que os declives já eram abissais devido às minhas próprias rugas. Minha agudeza de espírito [se me permitem esse termo] desconhecia minhas limitações físicas, o que me fazia tão feliz quanto qualquer outro moleque inconseqüente. Foi quando cismei de subir a escada pulando de dois em dois degraus e rolei dois lances de escada, deixando um dente, uma costela e parte da bacia em cacos, que me dei conta que faziam mais de cinqüenta anos que eu vivia como se tivesse dezenove. Acontece que com dezenove eu conheci a minha mulher, ela aos Vinteum e eu sem nem uma dúzia de amantes. Ela já devia ter tido umas duas dezenas e já sabia por onde eu devia ir, o caminho era seguro, outros já o haviam desbravado. Mas eu andava tão tranquilamente e com tanta segurança por entre seu relevo suave que ela me levou ao seu ponto mais ermo. Eu fiquei tão encantado que só pensava em ficar por ali. Ela me fazia dar voltas e mais voltas e devo confessar até me divertia, assim, sem atalhos. Mas antes dos meus vinte descobri outras paisagens existiam para além da minha pobre esposa, e que nelas eu chegava em lugares antes desérticos quando bem entendia. Era como se conhecendo o relevo de minha própria mulher eu conhecesse o relevo das demais. Os caminhos são diferentes, mas se caminha do mesmo jeito. Aos Vintequatro meu trabalho me exigiu novas viagens e posso me gabar de ter conhecido mais mares dantes nunca navegados que qualquer poeta português. Fui de encontro a novos lugares por quase cinco décadas, décadas que atravessei inflado de um orgulho púbere e teimoso, que só me abandonou quando também perdi um dente, uma costela e uma parte considerável da bacia. Talvez o rosto desfigurado pelo vão na boca, talvez o corpo engessado e paralisado sobre a cadeira de roda, talvez a imagem patética da minha mulher, num reflexo feminino bizarro do que eu seria. O fato é que minhas viagens acabaram dois lances de escada abaixo e Vintesseis e Vintessete, como mãe e filha, fizeram o favor de me deixar em casa. Entregaram meus cacos sobre rodas e eu entrei na velhice deslizando no sorriso macabro da minha mulher.
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